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No dia 5 de março de 2005 às 19 horas no Auditório da Escola Liceu de Tauá “Lili Feitosa”, foi fundada a Academia Tauaense de Letras, naquele momento imortalizado 14 Cadeiras com os seus Patronos e respectivos Membros Fundadores.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

BIOGRAFIA JOVITA FEITOSA




JOVITA ALVES FEITOSA.
Patrona - Cadeira nº. 13


JOVITA ALVES FEITOSA, nascida em TAUÁ, em março de 1.848, filha de Maximiano Bispo de Oliveira e de Maria Alves Feitosa, se destacou pela bravura e destemor, preparando a luta contra o Paraguai.
Nesse tempo, com apenas dezesseis anos, órfã de mãe, residia com um tio em Jaicós, no Piauí, e participava vivamente do clamor criado com o patriótico movimento contra o invasor Francisco Solano Lopez, apossando-se do forte de Coimbra no ano de 1.864, à margem do Rio Paraguai, facilmente conseguido por causa da precária situação em que se encontravam os brasileiros.
A expedição paraguaia avançava pelo sul de Mato Grosso, encaminhando-se para a colônia militar de Dourados. Vitoriosos, seguiram para a colônia de Miranda, depois Nioaque, encontrando poucos brasileiros e mal armados.
Pretendiam assim chegar até Corumbá, já tendo conseguido a interrupção das comunicações entre a capital da província e o Rio de Janeiro.

Por pouco tempo o sul de Mato Grosso tornou-se território paraguaio. López pretendia formar outra frente de guerra, atravessando a Argentina para atacar o Rio Grande do sul. O Presidente da nação vizinha negou a passagem das tropas por terras argentinas, o que ocasionou uma declaração de guerra, em março de 1.865, com a invasão pelos paraguaios da província de Corrientes.
No Rio de janeiro as noticias das invasões causaram revolta, e o Imperador Pedro II estimulou o patriotismo entre os homens, com a frase: “ O BRASIL ESPERA QUE CADA UM CUMPRA O SEU DEVER. “.

JOVITA mobilizou a cidade e o campo para que fossem lutar pela pátria. Misturava-se com os soldados, desprezando todos os preconceitos da época. Atendendo ao apelo do Imperador, as mães ofereciam os filhos para a luta, as damas doavam suas jóias, e JOVITA, como nada tinha a oferecer, arquitetou um plano: cortando os cabelos e usando um chapéu de couro, assim se disfarçou em soldado, indo-se apresentar em Teresina, onde se agrupavam os Voluntários da Pátria. E tinha apenas dezessete anos.

O plano foi descoberto. As formas femininas a denunciaram e mulheres curiosas descobriram que as orelhas eram furadas. Mesmo assim, foi aceita pelo exemplo de tão admirável lição de patriotismo, com a obrigação de usar um saiote sobre a farda.
Mulher valente, audaciosa, teve seu gesto admirado em todo o país. Exercendo função militar, esteve em São Luis, Paraíba e Recife, causando entusiasmo em todos. Era aplaudida, presenteada, cantada em versos e hinos. A nossa heroína estava então preparada para a viagem ao Rio de janeiro, em companhia de quatrocentos e sessenta soldados.
Um mês após a partida, chegava à capital brasileira sendo entusiasticamente ovacionada pela multidão que esperava curiosa a Companhia dos Voluntários, tendo entre eles a figura de uma mulher.
Os jornais noticiaram com destaque o fato; o povo aclamava-a com entusiasmo pó onde ela passava e assim a admirável JOVITA viveu os mais intensos momentos de glória.
Passados alguns meses, o Ministro da Guerra, Visconde de Cairú, põe por terra a aspiração da jovem, negando-lhe permissão para a frente de combate. Dava-lhe apenas o direito de agregar-se ao Corpo de Mulheres que irÍa prestar serviços compatíveis com a natureza feminina, na guerra contra os vizinhos paraguaios.

Resolveu permanecer no Rio de Janeiro, decepcionada com o acontecido e fortemente amargurada, sentindo se desfazerem os seus sonhos de jovem patriota e de mulher guerreira que ela era.
Faleceu em outubro de 1.867, aos dezenove anos, longe de sua terra e de sua família, merecedora de grandes elogios pelo valor moral de que era possuidora.
Ficou o seu exemplo digno da admiração de todos os brasileiros.

Carlos Gomes.
Membro - Cadeira nº. 33

5 comentários:

ELDINAN disse...

Oi bom dia! eu sou estudante de historia na Universiadade Estadual do Piaui e estou em busca de mais fontes para conclusão de minha monografia que envolve (mulheres, guerra, genero) no qual estou dedicando um estudo sobre Jovita Alves. se alguem poder trocar informações ficarei muito grato. e-mail: eldinancastro@hotmail.com

Anônimo disse...

Um antepassado meu, de nome João Baptista de Oliveira,nascido em meados dos anos 1.840, no Brejo Seco, lutou cinco anos na guerra do Paraguai.Após a guerra, ele e família migraram para o Piauí.Vocês teriam como estabelecer, se existir, o parentesco entre ele e o Maximiano Bispo de Oliveira, pai de Jovita?

Ricardo disse...

Jovita Feitosa, no ano de 1865,permanecendo no Rio de Janeiro, pessoa ingênua e inexperiente, envolveu-se sentimentalmente com um engenheiro inglês de nome Guilherme Noot, passando com ele a viver na praia do Russel. Caiu em profunda depressão, depois, ao saber que o amado havia regressado ao seu país de origem sem nada lhe comunicar.

Comete suicídio com uma punhalada no coração em 1867, aos 19 anos de idade.

Cleane Maria disse...

Olá!sou estudante de história da Universidade Federal do Piauí, estou pesquisando para escrever uma monografia sobre a trajetória de Jovita Alves Feitosa no contexto em que se insere. Preciso de informações sobre sua família, seus pais, alguém poderia me dar uma força!? Fico grata!
Cleane Alves

eduardo disse...

Olá, Ricardo
Jovita foi amante de guilherme noot, que está sepultado no cemitério da Gamboa no Rio de Janeiro,mas não é provado que ela cometeu suicidio. Existem várias "teorias" do que tenha acontecido, quais são elas:

- Queimada na casa de seu amante na Praia do Russel ;

- Queimada na fogueira na Guerra do Paraguai;

entre outras...
Abs